segunda-feira, 4 de julho de 2011

Tédio de uma noite qualker

Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte 
de tudo que acredito não me tape os ouvidos e a boca.

Porque metade de 
mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio.

Que a música que eu 
ouço ao longe seja linda, ainda que triste.
Que o homem que eu amo seja 
sempre amado, mesmo que distante.

Porque metade de mim é partida e a 
outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas 
como prece nem repetidas com fervor.
Que apenas sejam respeitadas como a 
única coisa que resta a uma mulher inundada de sentimento.

Porque metade 
de mim é o que eu ouço, mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha 
vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço.
Que essa 
tensão que me corroe por dentro seja um dia recompensada.

Porque metade 
de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão.

Que o medo da 
solidão se afaste, que o convívio comigo mesmo se torne ao menos 
suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto o doce sorriso que eu me 
lembro de ter dado na infância.

Porque metade de mim é a lembrança do que 
fui, a outra metade eu não sei...

Que não seja preciso mais do que uma 
simples alegria para me fazer aquietar o espírito.
Que o teu silêncio me fale 
cada vez mais.

Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é 
cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não 
saiba.
Que ninguém a tente complicar porque é preciso simplicidade para 
fazê-la florescer.

Porque metade de mim é a platéia e a outra metade, a 
canção.

Que minha loucura seja perdoada.

Porque metade de mim é 
amor e a outra metade... 
também.



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...Siempre y hasta la 
muerte...

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